O caso de maus-tratos que resultou na morte do cão comunitário Orelha, de cerca de 10 anos, causou grande comoção popular na última semana e ganhou repercussão nacional e internacional. O animal, conhecido por ser dócil e cuidado por moradores da Praia Brava, em Florianópolis (SC), morreu após ser violentamente agredido por um grupo de adolescentes.
De acordo com a Polícia Civil de Santa Catarina, as agressões levaram ao agravamento do estado de saúde do cachorro, que acabou sendo submetido à eutanásia. As investigações apontam que quatro adolescentes estariam envolvidos no crime. Há ainda relatos de que os mesmos jovens teriam tentado afogar outro cão na região, fato que também está sendo apurado.
Na segunda-feira (26), por meio da Delegacia de Proteção Animal (DPA) e da Delegacia de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei (Deacle), a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão nas residências dos adolescentes e de seus responsáveis legais. Os agentes também realizaram diligências em endereços ligados a três adultos investigados por suposta tentativa de coação e interferência no andamento do inquérito, incluindo intimidação de testemunhas.
A brutalidade do caso gerou protestos e mobilizações em diversas cidades, além de manifestações nas redes sociais pedindo justiça e punições mais rigorosas. A repercussão reacendeu o debate sobre a redução da maioridade penal no Brasil. Autoridades políticas, entre elas o governador de Santa Catarina, defenderam mudanças na legislação, argumentando que adolescentes que praticam atos dessa gravidade têm plena consciência de suas ações.
Especialistas e a sociedade civil também passaram a discutir temas como a formação emocional de jovens, possíveis sinais de comportamento violento e a sensação de impunidade. Entidades de proteção animal reforçam que crimes dessa natureza não devem ser minimizados e cobram respostas firmes do poder público.
As investigações seguem em andamento. A Polícia Civil apura as responsabilidades dos adolescentes envolvidos e as sanções aplicáveis conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), além de eventuais crimes cometidos por adultos suspeitos de atrapalhar o curso das apurações.
OPINIÃO DO REDATOR:
Esse caso vai muito além da morte de um cachorro. A violência contra o cão Orelha escancara um problema grave: a banalização da crueldade e a falha na formação emocional de jovens. Maus-tratos a animais não são brincadeira nem ato isolado — costumam ser um alerta para comportamentos ainda mais violentos no futuro.
A comoção é legítima porque Orelha simbolizava cuidado e convivência comunitária. Sua morte levanta questionamentos sobre responsabilidade, prevenção e o papel da família, da escola e do Estado. Punir é necessário, mas prevenir é urgente. Espero que os envolvidos sejam punidos, dentro do que a lei determina.
Ignorar episódios assim é fechar os olhos para um problema que pode gerar consequências ainda mais graves amanhã.
Do Portal Ailton Pimentel/Cão comunitário Orelha – Foto: Internet

Nenhum comentário:
Postar um comentário