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sábado, 15 de agosto de 2026

Obituário | Seu Maciel: da pequena venda à construção de um legado no comércio de Barrocas

Foto Reprodução Redes Sociais

Barrocas perdeu na manhã deste sábado (15) um dos personagens que ajudaram a escrever a história do comércio local. José Maciel Lopes de Queiroz, o Seu Maciel, faleceu aos 82 anos, às 5h40, no Hospital Geral Clériston Andrade, em Feira de Santana. Homem simples, de fala baixa e trato afável, ele saiu da zona rural, construiu sua trajetória como comerciante e deixou como legado não apenas os negócios mantidos pela família, mas uma maneira muito própria de lidar com as pessoas.

Nascido em 16 de setembro de 1943, Seu Maciel viveu durante muitos anos na zona rural, no povoado de Tanque Velho. Quando Barrocas ainda era uma pequena localidade, começou a empreender com uma daquelas antigas “vendas”, pequenos estabelecimentos onde se encontravam desde a pinga até produtos como farinha, milho, feijão. Percebendo o movimento das pessoas que chegavam da zona rural, disponibilizou nas proximidades do comércio um espaço onde os clientes podiam deixar carroças e amarrar os animais enquanto faziam suas compras. Ali, entre uma conversa e outra, uma dose de bebida ou um “geladinho”, começava a ser construída uma relação que atravessaria décadas.

O pequeno comércio cresceu. Ao lado do filho Almir, Seu Maciel transformou a antiga venda na Comercial Lopes, que se tornou um dos estabelecimentos de referência da cidade. Mas uma das marcas daquela trajetória não estava apenas nas prateleiras ou no volume das vendas. Estava no contato. Seu Maciel conquistava clientes pela simplicidade, pela conversa tranquila e pela forma de atender. Até as balinhas oferecidas depois das compras acabaram fazendo parte das lembranças de quem frequentava o estabelecimento.

A história construída por Seu Maciel também se multiplicou por outras portas comerciais de Barrocas. Pessoas que trabalharam com ele, inicialmente em atividades como organizar e abastecer prateleiras e colocar preços nas mercadorias, seguiram posteriormente seus próprios caminhos e se tornaram comerciantes e empresários de destaque. Dentro de casa, o comércio também atravessou gerações. Filhos, filhas e genros permaneceram ligados à atividade, e a trajetória iniciada naquela pequena venda está relacionada hoje à Rede Maxiel, formada por quatro supermercados na cidade.

Mesmo depois de décadas de trabalho, Seu Maciel manteve uma rotina que chamava atenção. Aos 82 anos, continuava participando diariamente do funcionamento do mercado. Depois que Almir se dedicou à vida política — atualmente é prefeito de Barrocas —, passou a dividir mais diretamente essa rotina com a filha mais nova, Márcia. Todos os dias, Seu Maciel abria e fechava o mercado. Não era apenas o fundador observando de longe aquilo que havia construído. Continuava presente no cotidiano do negócio.

Mas há uma parte dessa história que não aparece em balanços comerciais. Ao longo da vida, Seu Maciel também ficou conhecido pela disposição em ajudar pessoas que atravessavam dificuldades. Famílias carentes encontraram nele auxílio em momentos de necessidade. Após sua morte, o aboiador Gabriel Aboiador transformou essa lembrança em versos: “Morre o homem, fica o nome, o legado que deixou. A fome de muita gente, esse velhinho já matou.” A referência vai além do fato de Seu Maciel ter passado a vida vendendo alimentos: recorda a ajuda oferecida a muitas pessoas que procuraram ele lá nos fundo do mercado.

Seu Maciel deixa, assim, uma história que se confunde com parte do desenvolvimento comercial de Barrocas. Do homem da zona rural ao comerciante; da pequena venda ao supermercado; do espaço para amarrar os animais às quatro unidades mantidas atualmente pela família. Entre uma ponta e outra dessa trajetória permaneceu uma característica que aqueles que conviveram com ele costumam recordar: a simplicidade.

O sepultamento de José Maciel Lopes de Queiroz será realizado neste domingo (16), às 10h. O féretro sairá de sua residência, localizada na Rua Maria das Dores, no Centro de Barrocas, seguindo em cortejo até o Cemitério Municipal, onde acontecerá o sepultamento.

Aos 82 anos, Seu Maciel encerrou uma rotina que manteve praticamente até o fim da vida. Fica uma família fortemente ligada ao comércio, ficam negócios que nasceram da sua iniciativa, ficam comerciantes que começaram trabalhando ao seu lado e, sobretudo, ficam as histórias de quem encontrou naquele senhor de fala mansa não apenas um comerciante atrás do balcão, mas alguém disposto a ajudar.

"Morre o homem. Fica o nome".


@ Nossa Voz - Por Rubenilson Nogueira

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